Porto Alegre 21 de setembro de 2008 .
Três pares de olhos confiavam em mim a proposta de atividades do primeiro encontro do grupo Colcha de Retalhos . Assim foi no saguão terreo da Casa de Cultura Mario Quintana , numa ensolarada tarde de domingo . A concretização dessa iniciativa foi o que definitivamente me convenceu da seriedade das intenções destes jovens que até entao mantinham apenas uma relação virtual . Estavam presentes Janaina Melo , Juliana quadros , Lucas Schmitt e eu Gyan Celah .
Houve uma apresentação dos interesses e motivações individuais , bem como um rapido relato das experiências de cada um com o meio artístico . De um modo geral podemos dizer que todos estão iniciando e possuem um contato superficial com a arte teatral . No entanto creio que o desejo de experimentar e o esforço para estar disponível , ainda que num domingo , são ingredientes fundamentais para um bom começo . Eu entre os demais componentes , nao passo de um irmão mais velho . Ciente de que há muito a aprender ofereço ao grupo minha pequena vivência enquanto teatreiro e almejo constituir junto aos demais essa " Colcha " .
Após o momento introdutório decidimos dar início a pratica . Lucas na função de idealizador do projeto , havia solicitado meu apoio. Procurei selecionar atividades de grau relativamente fácil , mas que proporcionesse princípios de atividade em grupo , rítmo , cadência e criação espontanea .
Fomos até o jardim Lutzemberger , começamos fazendo escravos de Jó com nossos calçados .
Houve uma notável e positiva evolução do processo, pois na versão final da brincadeira fizemos a sequência completa ! Depois desta propus aos colegas uma linha de fluxo de pensamento coletivo . Começamos com palavras . Cada um dizia a primeira palavra que lhe viesse a cabeça em relação a que o colega ao lado havia dito . Ainda nessa idéia encaixamos uma contação d historia na qual cada um deveria contribuir com algum trecho . Durante este processo a conteceu uma curiosidade . Por se tratar de um espaço aberto ao publico uma senhora aproximou-se de nós e perguntou-nos se eramos um grupo de teatro . Confirmada a resposta ela começou a nos contar sobre um livro que havia escrito com diversas releituras de trabalhos infantis. Dentre elas exemplificou ( detalhadamente ) sua percepção da " Branca de neve " numa ótica psicológica do conto. Dissemos que se ela desejasse poderiamos incorporar seu trabalho em algum exercício cênico. Tudo parecia fluir bem até que , aparente mente a mulher deixou de considerar uma propósta interessante assim que soube que apresentavamos um perfil amador . Cada um com seus conceitos .
O cair da tarde nos conduziu até a parte coberta do quinto andar . Lá demos continuidade com uma memorização de nomes através de um exercício basico de palma e rítmo . Seguimos com um " ZIP/ZAP " . precisamos repeti-lo pois permanecemos no estagio inicial de codificação de signos. Usei um objeto para materializar a corrente energética , mas após retira-lo encontramos novamente dificuldades na abstração .
Para finalizar o Lucas sugeriu um exercício chamado de ( Nós 4 ) . Assemelhasse ao escravos de Jó enquanto cordenação e rítmo. Mas o grau de dificuldade nos foi mais desafiador devido a aceleração da musica. Encerramos com uma despedida dando as mão e gritando uma palavra ao erguer os braços . Escolhemos " Amizade " .
Ainda somos retalhos. Hoje pusemos a linha na agulha. Começa aqui uma costura que podemos levar o resto dos nossos dias . Espero que essa Colcha jamais finde e receba a cada dia uma nova fazenda de estampa diferente, com nova textura e nova cor.
Escrito por Gyan Celah .

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